quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Hospital Sarah Kubitschek - Brasilia DF

ESTUDO DE CASO DO HOSPITAL SARAH KUBITSCHEK DE BRASILIA– DF


RESUMO

Hospital Sarah Kubitschek é o nome pelo qual são conhecidas várias unidades hospitalares Brasileiras, com intuito de atender e tratar de vitimas de politraumatismo e problemas locomotores, objetivando sua reabilitação; é administrado pela Associação das Pioneiras Sociais é mantido pelo Governo Federal. O nome é em homenagem à Sarah Kubitschek, primeira dama do país na época da fundação de Brasília. O primeiro hospital da atualmente denominada "Rede Sarah" foi à unidade de Brasília; a experiência, em seguida, foi sendo ampliada para outras capitais, estando presente também nas seguintes cidades: Belém, Belo Horizonte, Fortaleza, Macapá, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís do Maranhão. Este trabalho apresenta um estudo de bases da Rede Sarah e mostra as qualidades de adequação de projeto arquitetônico à forma proposta.

INTRODUÇÃO

Os recursos financeiros que mantêm todas as unidades da Rede SARAH provêm exclusivamente do Orçamento da União, em rubrica específica para manutenção do Contrato de Gestão. A Rede SARAH não recebe recursos advindos do número e da complexidade dos serviços prestados, à semelhança do que ocorre com instituições de saúde subordinadas ao SUS.

PRINCÍPIOS DA REDE SARAH

Atuar na sociedade para prevenir a incapacidade e a deformidade, combatendo, ao mesmo tempo, preconceitos quanto à deficiência física, pois o que caracteriza a vida é a infinita variação da forma que no tempo muda. Desenvolver uma atitude crítica diante de modelos importados seja técnicas, sejam comportamentos. Viver para a saúde e não sobreviver da doença. A concepção do edifico foi prenuncio no que tange à organização espacial voltada para terapias baseadas na mobilidade dos pacientes e na permanência ao ar livre. A crescente demanda por unidades em várias regiões do país levou a Rede Sarah à implantação do Centro de Tecnologia da Rede Sarah (CTRS), com o objetivo de desenvolver sistemas construtivos que atendessem às necessidades de produção e montagem de modo racional. A padronização e disciplina que estabelece para a construção ao utilizar em grande escala elementos pré-fabricados tem como fator ponderante de redução do custo da obra, de garantia de qualidade dos acabamentos e de diminuição dos prazos usuais de execução. A lógica da indústria de massa permite também um maior investimento no projeto e detalhamento do sistema construtivo, pois os investimentos serão diluídos na série de produção. Isto caracteriza um serviço agregado de manutenção, que garante qualidade do edifício ao longo de seu ciclo de vida e a manutenção mínima da produção do CTRS. O surgimento do Instituto Habitat visa à expansão desta tecnologia para outros tipos de edifícios, sem se ater à Rede Sarah. Na parte superior das oficinas, têm-se mezaninos onde se localizam os setores técnicos, administrativos e onde se localizava o escritório do arquiteto Lelé, que acompanhava toda a produção dos elementos construtivos.

Figura 1: Hospital Sarah Kubitschek de Brasília - DF


IMPLANTAÇÃO 

Trata-se de um empreendimento de maior relevância no panorama do atendimento medico hospitalar nacional mais que, pelas caracterizas ambiciosas de que se reveste, tem reflexos capitais na própria conceituação no plano físico do prédio, as proporções do edifício têm a finalidade que lhe é atribuída.

ENTORNO
Figura 2: Foto do entorno do Hospital Sarah Kubitschek de Brasília – DF

Nas proximidades do hospital pode-se observar um grande cinturão de área verde isso devido ao método de reabilitação dos pacientes que em grande parte são feitas fora do edifício.

PAISAGISMO

Figura 3: Vista da paisagem do Hospital Sarah Kubitschek de Brasília - DF

As características do hospital exigem como complementação terapêutica e, pela própria conceituação de treinamento dos técnicos, o acesso fácil de doentes a espaços verdes adjacentes as áreas de tratamento e internação que permitam a administração de exercícios ao ar livre. O arquiteto com esse trabalho de paisagismo integrou o tratamento tradicional com o tratamento em uma área verde.

FLUXO DE AUTOS E PEDESTRES

Figura 4: Estacionamento do Hospital Sarah Kubitschek de Brasília – DF


VOLUMETRIA X FORMA X SISTEMA CONSTRUTIVO

A concepção do edifício hospitalar, assim como do espaço resultante é organizado segundo uma especialização das áreas internas, baseada no agrupamento de atividades mais ou menos complementares que dizem respeito aos cuidados para com os pacientes. Esta maneira de organizar o espaço estabelece uma forte estruturação do mesmo a partir dos diferentes eixos de circulação.

Para maior comodidade dos pacientes do hospital todos os ônibus com destino ao mesmo contam com lugares para portadores de necessidades, conta com estacionamento amplo para pacientes e funcionários, a instituição possui três ônibus que transportam alunos das escolas para palestras sobre trânsitos. Para fluxo dos pedestres em todo o entorno do hospital foi construído com rampas e acessos para portadores de necessidades e no interior do hospital toda locomoção é feita através de rampas ou elevadores.


CONCEITO ARQUITETÔNICO E SUA EVOLUÇÃO

O convite para projetar o Hospital Sarah Brasília, veio do médico ortopedista Aloysio de Campos da Paz, em nome da Associação das Pioneiras Sociais (APS). O início do contato de Lelé com Aloysio ocorreu anos antes do convite, através dos cuidados que o arquiteto recebeu após um acidente de carro, quando ainda residia em Brasília. Neste período o médico e o arquiteto discutiram os ambientes hospitalares e o conceito do Progressive Care, que seria fundamental para o desenvolvimento dos futuros hospitais. O projeto pedido deveria atender, além do programa complexo de um hospital de reabilitação e outras doenças relacionadas ao aparelho locomotor, suprir a demanda por novas tecnologias e suas manutenções sem depender do fornecimento das grandes indústrias.

Cronologia data de inauguração:
Hospital Sarah Brasília (1980)
CTRS em Salvador (1992)
Hospital Sarah São Luís do Maranhão (1993)
Hospital Sarah Salvador (1994)
Hospital Sarah Belo Horizonte (1997)
Hospital Sarah Fortaleza (2001)
Hospital Sarah Brasília, Lago Norte (2003)
Hospital Sarah Macapá (2005)
Hospital Sarah Belém (2007)
Hospital Sarah Rio de Janeiro (2009)


CONCEITO ESTRUTURAL: EVOLUÇÃO E ATUALIDADE

A busca pelo conforto ambiental foi tratada como um dos princípios norteadores do projeto, adequando os edifícios às suas localidades e utilizando-se da iluminação e ventilação naturais para aperfeiçoar a sensação de conforto dentro dos hospitais, tornando os espaços amenos e acolhedores. Ambos os elementos, estrutura e vedações, são fabricados no CTRS (Centro de Tecnologia da Rede Sarah) e alimentam os canteiros de todos os hospitais da rede Sarah. Essa padronização estabelecida para a construção das obras deste arquiteto indica a pertinência da utilização em grande escala da pré-fabricação de elementos estruturais como variável importante para redução de custos da obra, garantia da qualidade dos acabamentos e diminuição dos prazos usuais de execução. As atividades no local da construção, tais como a preparação do terreno e a fundação podem limitar-se ao mínimo. Na maior parte dos casos, não são incluídas vigas de interligação das sapatas, e as colunas do sistema ligam-se apenas sobre as sapatas isoladas, que se estabilizam através de um piso posterior de concreto armado. Por fim, forma-se a base para a instalação dos elementos dos sheds. Assim, o nível das vigas d o teto agrega variáveis funções. Na maioria dos casos os sheds são construídos com vigas treliça das que têm peso leve e sobre tudo são fáceis de montar em grandes vãos.
Os hospitais da Rede Sarah são um exemplo bem sucedido da utilização de sistemas modulados. A fim de auxiliar na confecção das peças e posteriormente na sua montagem, são realizados detalhes na escala 1:1, até mesmo dos encaixes dos parafusos.


Figura 5: Simulação do movimento do ar para conforto térmico e salubridade dos ambientes internos do Hospital Sarah Kubitschek de Brasília – DF


ESTRUTURAS DE CUSTO

Em uma entrevista com o arquiteto, realizado pelo grupo ENTRE em 2009, foi questionado a opção do aço como componente estrutural dos hospitais da Rede Sarah. O potencial médio de produção do CTRS equivale à execução anual de um hospital de 200 leitos equipado, no valor de 60 milhões de reais. O de São Luís custou 70 milhões de reais, enquanto que o de Salvador, utilizando o CTRS, custou 36 milhões de reais, equipado.


MATERIAS CONSTRUTIVOS EMPREGADOS

Para a construção das obras da Rede de Hospitais Sarah Kubitschek, utilizou-se componentes pré-moldados de concreto, argamassa-armada e aço. O CTRS possui um complexo de edifícios industriais responsáveis pela produção dos materiais para construção e manutenção dos edifícios da Rede, com as seguintes destinações industriais:

Metalurgia pesada: execução de estruturas, sobretudo em chamas de aço dobradas.

Metalurgia leve: confecção de componentes metálicos leves para os edifícios e equipamentos.

Marcenaria: confecção de componentes para a construção dos edifícios (portas, etc.) e mobiliários em geral.

* Argamassa armada: confecção de componentes para a constrição dos edifícios (divisórias galerias, e peças estruturais, etc.).


METODO CONSTRUTIVO E SUA EVOLUÇÃO

Sistema construtivo

O sistema construtivo dos Hospitais da Rede Sarah é composto por componentes pré-fabricados, basicamente formados por estrutura metálica e vedação em argamassa armada, produzidos no CTRS em Salvador. Alem disso, no caso dos hospitais da Rede Sarah, o fato da produção ser industrializada reduz este custo inicial, viabilizando empreendimentos flexíveis.

Evolução do processo construtivo

No caso do hospital de Brasileia, a necessidade de verticalizar parte do edifício, em virtude da localização e dimensão do terreno, construiu um fator adverso, tendo em vista que as tipologias horizontais apresentam maiores vantagens quanto à organização espacial, custo de produção e eficiência térmica e luminosa da edificação. Em relação aos demais projetos, a exemplo do Hospital Sarah Fortaleza, o Centro de Apoio ao Grande Incapacitado Físico do Lago Norte, o Posto de Macapá e o Centro Ambulatório de Belém, igualmente executados a partir do suporte do Centro de Tecnologia da Rede Sarah, a unidade do Rio de Janeiro apresenta um raciocínio mais elaborado do ponto de vista da flexibilidade do processo construtivo, fluidez e organização espacial, reaproveitamento dos recursos naturais,m integração com o meio ambiente, como também no que se refere ao desempenho e operacionalidade dos mecanismos de ventilação e iluminação adaptados às especificidades de uso do edifício. A construção do pavimento técnico representou uma medida necessária para evitar gastos dispendiosos com o aterramento das áreas de mangue, promover a independência dos diversos subsistemas construtivos, a máxima flexibilidade de uso dos espaços ale da autonomia do sistema de cobertura, cuja disposição é totalmente desvinculada da organização interna do hospital (o arquiteto considera que a flexibilidade total da construção foi à chave mestra para o aperfeiçoamento do sistema de ventilação do hospital, proposto por ventilação natural, ventilação natural forçada e ventilação artificial).

Usabilidade

Um dos aspectos mais importantes em sua arquitetura hospitalar é a flexibilidade, pois possibilita atender à constante necessidade de expansão e reformulação dos ambientes com o surgimento de novas técnicas de atendimento, de tratamento, novos equipamentos e tecnologias que impreterivelmente resultam na adequação dos ambientes de todo o conjunto hospitalar. A humanização dos ambientes é outro aspecto que é essencial em seus projetos da Rede. Tem o foco no bem estar e segurança, criando espaços agradáveis que auxiliam no processo de cura do paciente, preocupando-se com a qualidade do ambiente construído, com a paisagem e com o conforto ambiental.

Sustentabilidade
A ventilação natural depende da integração dos seus princípios básicos: a diferença de pressão e o efeito chaminé, que são aplicadas com o uso e aprimoramento dos sheds, ventilação cruzada, utilização dos ventos dominantes, de galerias de tubulações que captam estes ventos para renovação do ar, exaustores, piso técnico, sistemas flexíveis de fechamento. E dependendo do tipo de ventilação em funcionamento (natural, mecânica, artificial), permitem o controle da saída de ar e ainda da iluminação natural. O estudo dos ventos, que permite a criação de soluções para a ventilação natural auxilia com o problema da entrada de calor e mantém a qualidade do ar interno.

Manutenção e Conservação

A concepção dos hospitais da Rede Sarah acontece de forma multidisciplinar, ou seja, com a participação de profissionais de diversas áreas, como arquitetos, paisagistas, engenheiros civis, engenheiros mecânicos, engenheiros elétricos, entre outros.


CONCLUSÃO

A conclusão em relação ao estudo de caso é que o arquiteto apesar de ter um sistema construtivo limitado e todo um sistema funcional que exige um hospital conseguiu criar uma forma que contraria a rigidez estética imposta pelo pré fabricado.Em relação à arquitetura hospitalar nota-se uma evolução das soluções dadas aos hospitais que Lelé projetou, observam-se às soluções que priorizam os espaços públicos e que se caracterizam por propor novas práticas, intervindo em hábitos culturais.Outra característica dos hospitais projetados por Lelé, ilustra a sua intenção de privilegiar as soluções dirigidas à coletividade, é a tendência em abrir as enfermarias, para garantir um atendimento adequado e igual a todos os pacientes.Para encerar pode-se afirmar que o arquiteto e sua obra deveriam ser considerados, como uma nova metodologia, pois temas praticados por ele como conforto ambiental, sustentabilidade, tecnologia e meio ambiente, são uma referência para arquitetura brasileira.


Referências:

§ "A Arquitetura de Lelé: fábrica e invenção". Organização Max Risselada, Giancarlo Latorraca; textos Antonio Risério et al. São Paulo: Imprensa Oficial, 2010.

§ LIMA, João Filgueiras. “CTRS - Centro de Tecnologia da Rede Sarah /Arquiteto/ João Filgueiras Lima (Lelé)”.

Brasília: SarahLetras ; São Paulo: Fundação Bienal/ProEditores, 1999.

§ TRIGO, Cristina Câncio. “Pré-fabricados em argamassa armada: material, técnica e desenho dos componentes desenvolvidos por Lelé”.Tese de mestrado, FAUUSP, São Paulo 2009.

§ DERNTL, Maria Fernanda. ”A necessidade da racionalização" in Revista AU n 140. 2005.

§ GUIMARÃES, Ana Gabriela Lima. A obra de João Filgueiras Lima, no contexto da cultura arquitetônica contemporânea. Tese de Mestrado FAUUSP. 2010.

§ João Filgueiras Lima, Lelé. Instituto Lina Bo e P. M. Bardi. Lisboa: Editora Blau, 2000.

§ TOLEDO, Luiz Carlos. Feitos para curar, Arquitetura hospitalar e processo projetual no Brasil. Dissertação de mestrado, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro. 2002.

§ Lukiantchuki, Marieli Azoia, Caixeta, Michele Caroline B. F., Fabricio, Márcio Minto & Caram, Rosana.
Industrialização da construção no Centro de Tecnologia da Rede Sarah (CTRS)- A construção dos hospitais da Rede Sarah: uma tecnologia diferenciada através do Centro de Tecnologia da Rede Sarah – CTRS. Julho, 2011. Disponível em http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/12.134/3975

§ WESTPHAL, Eduardo. A linguagem da Arquitetura Hospitalar de João Filgueiras Lima.
Dissertação ao Programa de Pesquisa e Pós-Graduação em Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 2007. Disponível em: http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/11433/000610823.pdf?sequence=1

§ Montero, Jorge I. P. Ventilação e Iluminação naturais na Obra de João Filgueiras Lima, Lelé: Estudo dos hospitais da Rede Sarah Kubitschek Fortaleza e Rio de Janeiro.
Dissertação de mestrado, USP São Carlos, 2006. Em: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/18/18141/tde-12032007-225829/pt-br.php . Acessado em 30 de maio de 2012, às 15h23.

§ Ribeiro, Gislene Passos – Conforto ambiental, Sustentabilidade, Tecnologia e Meio Ambiente: Estudo de caso Hospital Sarah Kubitschek – Brasília. III Fórum de Pesquisa FAU/MACKENZIE,

Nenhum comentário:

Postar um comentário